Diante da carência de cursos de formação e da falta de experiência prévia dos profissionais na área - consequências do desenvolvimento recente do mercado -, um dos critérios que as empresas levam em consideração na hora de contratar é a imagem pessoal que o candidato constrói na internet. Segundo o jornalista Roberto Cassano, diretor de Mídias Sociais da agência Frog, ter uma presença consistente na web pode ser determinante para revelar se o candidato tem ou não o perfil para realizar o trabalho.
- Estou falando de ser relevante na internet. Uma pessoa pode não ter formação específica em mídias sociais e nem ter trabalhado na área antes, mas se escreve um blog bacana e tem perfis interessantes na rede, já é meio caminho andado. Queremos pessoas que saibam se vender de forma criativa - diz Cassano.
Profissional tem que pensar em promoções e parcerias
É o caso de Carolina Prata, de 30 anos. Formada em comunicação visual com ênfase em marketing, a profissional criou, em outubro do ano passado, o blog "Rainha louca", onde escreve sobre moda. Cinco meses depois, a ferramenta - que recebe cerca de 2.500 acessos por dia - abriu portas para que fosse contratada como gestora de Marketing Digital da Alfaias, rede de cama, mesa e banho.
- Descobri, na entrevista, que o recrutador acompanhava o meu blog e o Twitter. Isso foi determinante para que ele acreditasse no meu potencial. Acho que o segredo para ser relevante na rede é escrever sobre o que se gosta, mas fazendo uma ponte com o seu universo particular, pessoal - diz Carolina, que desde 2002 trabalha com internet.
Mais do que alimentar e monitorar as redes, o profissional da área tem que pensar em promoções e parcerias para aumentar a penetração da marca na internet. Atribuições que, para o jornalista Hélio Basso, de 37 anos, sócio-diretor de Operações da agência Ideia s/a - especializada em mídias sociais -, não é qualquer um que consegue desempenhar. O profissional acredita que, para contratar um novo funcionário, observar apenas se ele tem intimidade com as redes sociais não é suficiente.
- A experiência é muito importante. A pessoa tem que entender de economia de escala, cadeia de valor e comportamento de consumo, por exemplo. Com exceções, o garoto que está interagindo no Orkut agora não é esse profissional. Pelo menos ainda - diz Basso, ressaltando que não basta ser usuário para crescer na carreira. - Isso significa que candidatos que já trabalharam de alguma forma com monitoramento e gestão de marcas, SAC, reversão de crise, produção de conteúdo e gestão de estratégias de relacionamento para produtos e serviços largam na frente.
Formado em marketing, Daniel Wakswafer, de 25 anos, nunca tinha trabalhado com internet até janeiro de 2008 - quando entrou como trainee na AmBev -, mas se interessava pelo assunto. Após passar pelo setor de vendas e marketing, foi promovido no meio do ano passado como gerente de Novas Mídias.
- Ser usuário de redes sociais e saber mexer nas ferramentas é um requisito óbvio. Fundamental mesmo é conhecer a cultura da empresa e entender que cada rede tem um perfil específico, que exige um posicionamento diferente. O profissional tem que respeitar as diferenças entre os canais e entender que ele é a cara e os ouvidos da marca na internet. Para isso, é preciso respeitar opiniões diferentes e entender críticas - diz Wakswafer.
O Globo